A gravidez é, sem dúvida, um dos momentos mais transformadores na vida de uma mulher. Nesta fase a mãe tem um papel crucial na contribuição para o neurodesenvolvimento saudável do seu filho. Isto sustentará a aprendizagem, a regulação emocional e o comportamento ao longo da vida do novo ser que está a caminho.
As doenças do foro do neurodesenvolvimento, como a Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) ou a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), têm origem multifatorial, sendo a má nutrição gestacional um dos grandes gatilhos que pode levar a estas doenças.
Cuidar da nutrição nesta fase é, investir na saúde e no futuro das próximas gerações
Durante a gestação, o organismo da mulher precisa de mais nutrientes, tanto micro quanto macronutrientes, para acompanhar o crescimento do bebê e sustentar mudanças fisiológicas e hormonais.
Deficiências nutricionais durante a gravidez interferem com processos do desenvolvimento cerebral, como a neurogénese e sinaptogénese havendo desta forma um maior risco de perturbações como a PEA e PHDA.
Para suprir estas deficiências a grávida pode necessitar de suplementação de alguns nutrientes essenciais, entre eles:
Folato, vitamina B12, colina: fundamentais na prevenção de malformações do tubo neural.
Ferro: indispensável para o transporte de oxigénio e para o desenvolvimento cognitivo fetal.
Iodo: determinante para a função da tiróide. A sua deficiência pode afetar o quociente intelectual da criança.
Vitamina D, zinco e ácidos gordos ômega-3, especialmente o DHA: associados à organização estrutural e funcional do cérebro em desenvolvimento.
Para além disso é preciso olhar para a alimentação como um todo, para padrões de dieta equilibrados, ricos em alimentos frescos e minimamente processados.
Acredito que deveria se abordar mais este tema tão importante e crucial para o futuro das nossas gerações.
As orientações pré-natais concentram-se apenas em evitar deficiências extremas, sem reconhecer que pequenas deficiências, podem ter consequências duradouras na capacidade de aprendizagem, comportamento e regulação emocional das crianças. Investir em educação nutricional para gestantes é, portanto, um investimento social.
Cada refeição equilibrada que a mãe faz é um tijolo na construção do futuro do seu filho.
Escrito por: Fernanda Correia